quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Anatomia de um amor


Ao entardecer de noites de verão ardentes, ou ao entardecer precoce de frias noites de inverno, sento me à entrada da barraca que com carinho fui acrescentando, e acendo uma pequena fogueira para cozinhar o que tiver nesse dia. Depois inicio o ritual quase religioso de limpar bem as mãos e ir buscar estes cadernos que conservo bem protegidos. À luz das labaredas ou à luz mais suave de um entardecer de estio, leio pela enésima vez os mail’s de Maria. Este é agora um amor calmo, perdido que foi o fogo ardente da paixão. Já mal me recordo do arrebatamento desesperado que me fazia arranhar as mãos, soluçar e beber até à inconsciência, numa tentativa fútil de atenuar a sua ausência.

Maria agora está comigo. Na minha alma e recordação. Envelhecemos lado a lado, como um só. E sobretudo, em paz. Onde quer que esteja e o que quer que esteja a fazer, andará ad aeternum dentro de mim. Às vezes imagino-a, de avental, numa cozinha, a dar um pedaço de pão a crianças irrequietas que correm e saltam à sua volta. E imagino aquele sorriso meigo, misterioso, mas sem o sarcasmo que Da Vinci incutiu à sua mona lisa. Feliz com algum homem que lhe dê mais do que eu soube dar. Mas nunca, jamais tão amada como o foi por mim.

Lentamente, nesta noite, abro o caderno numa página à sorte. Respiro fundo, sentindo a brisa que sopra do mar, e o roxo desmaiado em que se torna a morte do sol e a vinda de mais uma noite. Baixo os olhos para as páginas mágicas que tenho no regaço e leio:

“ Não há dia, não há noite, não há hora em que eu esqueça o sabor dos teus beijos. Talvez um dia, meu amor, daqui a meses ou a anos, quando estiveres menos mergulhada nesse horror a que se chama vida diária; quando viveres a tua vida com mais urgência, porque a morte já ronda e espreita ali à esquina; quando desejares ter mais anos e eles tos são negados. Talvez nesse dia alcances totalmente aquilo que senti-desejei-e tive a sorte de poder viver um pouco.”
in "ANATOMIA DE UM AMOR"

Finalmente vai ser editado o meu primeiro romance. A todos os meus amigos e conhecidos que o desejem adquirir, informo que o poderão fazer a partir dos primeiros dias de Fevereiro, ou então enviando-me desde já um mail a solicitar que eu o envie pelo correio.  Para isso enviarei o meu NIB aos interessados, para que possam proceder à transferência em qualquer multibanco. O custo será apenas o do preço de capa, eu ofereço os portes de correio(em Portugal), e será enviado com uma dedicatória pessoal e devidamente assinado. Contactem-me!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Em defesa da cultura


Saí das Bibliotecas da Câmara Municipal de Lisboa há cerca de 5 anos. Mesmo assim acolhi quase como um murro no estômago, a notícia da decisão da equipa que actualmente (des)governa a autarquia ,de esbulhar (sim eu conheço toda a carga anímica dessa palavra e foi intencionalmente que a utilizei) o já tão sacrificado património cultural dos lisboetas.

Não podemos, não devemos, perder de vista o equilíbrio, e comparar a decisão do dr António Costa de entregar uma boa parte das Bibliotecas da Rede BLX às juntas de freguesia, àquela decisão dos responsáveis pelo 3ºReich em queimar todos os livros dos autores que não seguiam o regime vigente. Seria entrar no fanatismo, e não corresponderia à realidade. Mas que tal decisão anda lá por perto, anda!

Também não há a intenção de menosprezar os responsáveis pelas Juntas que irão acolher  as referidas bibliotecas. Quase de certeza que farão o melhor que puderem para as manter e engrandecer. Mas é sabido que a nível de Estado, o orçamento se contrai de cima para baixo.

A nível de governo central existirão umas poupançazitas nos gastos. A nível de ministérios e serviços desconcentrados existirão umas poupanças maiores. A nível de câmaras municipais, vão ser cortes a doer. E as juntas serão como sempre as eternas sacrificadas, para quem nunca resta dinheiro. A decisão camarária visa sacudir do capote os problemas financeiros que tem, custe o que custar. Lavar as mãos, como Pilatos, e como Pilatos indiferente aos dramas que irá causar. Porque é pacífico o entendimento, para quem conhece as bibliotecas deste país, que algumas das oito “condenadas à morte” irão a médio/longo prazo encerrar por falta de verbas. E se assim não for, pelo menos terão todas elas mais agudizado ainda, se tal já é possível,  o problema com que as restantes se debatem: a morte intelectual: há quantos anos não se fazem compras de jeito nas Bibliotecas deste país? Entramos numa, e quase só encontramos ao dispor livros de há 2 anos atrás! Raríssimas novidades.

Se não estou em erro (e posso estar) as bibliotecas da câmara municipal de Lisboa, iniciaram-se algures por volta do ano 1929, com aquela que é hoje a biblioteca central. Desde 1929, com esforço e muita dedicação por parte dos seus profissionais, foi evoluindo, com altos e baixos, até ter a quase vintena de equipamentos que tem hoje e constituem a rede BLX.

Não importa aqui saber qual é o partido político do dr António Costa. Eu utilizaria estas mesmas palavras  quer ele fosse de extrema esquerda quer de extrema direita. Estamos a falar de uma determinada situação e não de política, sendo circunstancial que a decisão seja política neste caso. Ao decepar da forma que o vai fazer logo 8 bibliotecas de uma só penada, o actual presidente da câmara elegeu-se a ele próprio como o pior presidente da câmara de lisboa desde 1929!| e cuspiu no rosto dos profissionais que há anos, e alguns há muitas décadas vêm dando o melhor do seu esforço, sacrifício e privações, para engrandecer a Cultura em Lisboa.

Não sou fanático nem sou fã de “partilhas” na internet. Mas creio que em vez de gritos de histerismo, cenas de confronto físico e outras posturas menos sociais, ficaria mais bonito se todos os amantes da cultura em geral, se todos os leitores de todas as bibliotecas, se todos aqueles que irão ser prejudicados com esta decisão, se todos aqueles que não irão ser directamente prejudicados, mas acham errada a decisão usassem discretamente ao peito um laço negro um um emblema de um pequeno livro em negro, como forma de luto digno. Dignidade é a palavra chave para os bibliotecários! Toda a vida servimos! E servimos com dignidade, esperando muito pouco ou nada em troca. Se a cultura vai ficar mais pobre, se o luto tem de ser feito, que o seja de forma digna e de cabeça erguida! Não apelando a revoltas populares, mas não esquecendo também jamais o gesto deste presidente. Que pague nas urnas, a seu tempo, um pesado preço pela decisão. Que todo e qualquer amante da cultura com C grande, mesmo que seja ps,  vote noutro candidato ps, e nesse não.

Aos meus amigos de muitos anos dentro das BLX, aos conhecidos e a todos aqueles a quem a angústia da incerteza aperta o peito quero dizer-vos hoje: estou em pensamento convosco!

sábado, 30 de novembro de 2013

Tai-pan2


"Diz-me, meu deus, onde é que eu errei? como? porque é que as pessoas mudam? como é que a zanga e a violência e o ódio e o mal podem vir da doçura da juventude? da ternura e do amor? e porquê? porque é sempre assim..."

in: Tai-pan, James Clavell

Tai-pan

"graças a deus que já não sou assim tão jovem, pensou...O amor é como o mar, umas vezes calmo, outras tempestuoso; é perigoso, belo, E só se mantém inalterável por curto espaço na roda do tempo".

in :  Tai-pan, James Clavell

Noite de Natal

Noite de Natal, noite de amor,
tocam os sinos pelas aldeias,
os astros brilham com maior fulgor
semeando a luz de mil candeias...

Noite de Natal, noite de alegria,
cantemos de jesus a nossa canção
filho dilecto da Virgem Maria,
veio iluminar-nos a escuridão.

Noite cheia de paz, noite de Natal,
nas palhinhas dorme o menino...
as estrelas brilham como um sinal,
os céus resplandecem de um halo divino.

Noite de Natal, ao pé do presépio
todos se juntam dando as mãos -
chegam cantando, alheios ao frio,
pastores e magos, como irmãos...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

o peregrino secreto

"Apetecia-me poder fazê-los abandonar tudo por uma paixão imperfeita e impossível para o respectivo objecto se virar contra eles, provando que não há recompensa para o amor a não ser a experiência de amar, e nada a aprender com ele a não ser humildade..."

in O peregrino secreto, John Le Carré

terça-feira, 22 de outubro de 2013

À BOSNIA



Já foram um povo, um só povo
meu deus, o que foi que aconteceu?
estaremos a assistir, hoje de novo
à idade das trevas que o mundo conheceu?

foram um povo que viveu junto e amou,
 sofreu, trabalhou e junto cantou e riu
que cancro obsceno, que pústula brotou,
que semente de ódio nasceu e floriu?

em nome de que ignoto ideal
soaram trombetas e tambores de guerra
se cada vizinho é nosso igual
porquê a dor alastrando sobre a terra?

domingo, 1 de setembro de 2013

a minha Roma arde...

que raio se esta a passar?? no centro de Paredes olho a volta e é como o mostrador de um relógio: para cada lado que se olhe um fogo! contei 8! o maior, para noroeste até assusta, enche o ceu de um fumo magestoso e ameaçador, como a ira suavemente perigosa de um deus cruel e inclemente. sentimo-nos pequeninos no fundo de uma taça enorme, onde as bordas ardem de forma subterrânea. vê-se o fumo, nunca as chamas. pobre país sacrificado :-( arde-nos a alma mater, arde o solo, arde a esperança. incendiários queimam as florestas e também a economia. não há grande diferença entre os políticos que queimam orçamentos de milhões, com o fim de ganhar uma comissão de escassos milhares para financiar campanhas eleitorais e os aberrantes colocadores de fogo posto que acendem um fósforo, com o fito de poder ajudar os bombeiros a apagar um fogo que eles próprios atearam... enquanto isso, no palácio, os Neros da politica tocam as suas harpas de marfim e cantam as suas memórias para a posteridade. e na sargeta do seu negro coração, os incendiários rejubilam e sentem a adrenalina de mais um fogo posto. que será de ti, no fim disto tudo, minha pobre Res Pública?

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Em defesa da liberdade, no Facebook…


Talvez que eu seja um espírito pouco prático nestes tempos que vão correndo. Talvez que eu seja um anacronismo. Posso aceitar isso. Mas não tenciono alterar a minha forma de ser e encarar as coisas e a vida. Para mim, o Facebook é uma ferramenta contemporânea que nos permite ligar em directo a esta aldeia global, mostrar o que somos e o que pensamos, sem reservas, mas também sem espartilhos.

A liberdade de cada um termina, onde começa a liberdade dos outros, diziam-me já em miúdo. Bebi esse conceito, como bebi o leite Vigor que me davam a beber para crescer forte e saudável.

Por isso não gosto, não simpatizo com pessoas que utilizam o facebook apenas para fins comerciais. Ou apenas para fins políticos. Ou apenas para fins de engate. Ou apenas para.

Que têm esse direito é inegável. Estamos num país livre, felizmente. Que eu tenho o direito de não gostar dessa forma redutora de estar é também o meu direito inalienável. Lembro-me que que um dia destes tive a grata  oportunidade de anexar ao meu Facebook o autor de um livro de que gostei muito: “um deus passeando pela brisa da tarde”. Porreiro, pensei eu. Vou poder estar um pouco próximo de uma pessoa que admiro, e quem sabe, aprender, estudar, um pouco, abrir os meus horizontes, com alguém mais velho e sábio do que eu! Humildemente.

Dia após dia, nada do ser humano por trás do escritor. Apenas de longe em longe um frio e seco post de teor profissional. E um outro dia, não há muito tempo atrás, um post enfadado dirigido a alguém: “em breve terei de fazer uma limpeza a quem me enche diariamente o face”. À desilusão, sobrepôs-se a indignação. “Ai é assim? Pois é já!” e sem pensar apaguei, deletei, bani para todo o sempre da santidade do meu próprio Face, a presença incomodativa do sentencioso escriba. Culpas? Ninguém as tem. Cada um tem o direito de ter no seu mural quem muito bem entende e dirigi-lo a quem muito bem entende. Isso é democracia. Isso é liberdade. Tive pena. Muita. Mas ninguém é perfeito, muito menos quem escreve. Costumo dizer que, para podermos escrever, há primeiro que desencantar a alma, muitas vezes para lá de toda a redenção possível..

Pessoalmente, assumo os meus inúmeros defeitos. E os defeitos que a natureza humana trás a todos os restantes habitantes do meu mundo. Por isso nunca banirei do meu Face, quem tenha maneiras diferentes da minha, de ver as realidades desta vida. Não reparo ostensivamente nos argueiros que tapam as vistas do próximo, sem antes reparar nas traves maciças que cobram a minha vista. Sejam comunistas ou fascistas, sejam peripatéticos religiosos ou secos agnósticos. Sejam benfiquistas ou portistas. Sejam cínicos empedernidos como eu mesmo, ou raríssimos tesouros de ingenuidade. Todos serão bem-vindos a dar a sua opinião no meu mural. O limite é a educação básica, inerente ao civilizacionismo. Aos que utilizam o Face apenas como ferramenta laboral, deixando de lado aquilo que são como seres humanos, respeitarei a crença ideológica. Mas irei bani-los sem tardança e sem pudor do meu mundo virtual! Este já é seco e vazio em demasia, para que ainda por cima eu aceite mais barreiras ao humanismo.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A um amigo


Erva de um relvado separada,

Raminho partido de um arbusto,

Espiga de trigo precocemente ceifada –

- já não tenho a meu lado o teu ombro robusto…

São poucos nesta vida aqueles a quem

Podemos na verdade dar o nome de amigo,

Mas a vida é maré que vai e que vem

E já não posso ir à praia apanhar conchas contigo…

Partiste e cá fico com um lugar vazio

Aqui no cantinho do meu coração!

Sozinho medito à beira do rio

Deixando correr a recordação

Com as águas do Tejo,

E vejo imagens do passado,

Momentos que foram e não mais voltarão…

Que Deus seja contigo pelos tempos dos tempos,

Que te dê a doçura do descanso e da paz,

Eu cá fico com a lembrança dos momentos

Que passámos juntos, Alfredo, meu rapaz!

 

 

5 de Abril de 1995

Brevidade...


O verão é breve e a vida é breve! Mas que é que os torna breves? O facto de sabermos que o são! Sabem porventura os gatos que a vida é breve? Ou os pássaros? Ou as borboletas? Eles acham que é eterna! Ninguém se preocupou em dizer-lhes que a vida é breve! Porque é que no-lo disseram a nós?

Erich Maria Remarque, in

Uma Noite em Lisboa

quarta-feira, 19 de junho de 2013

As discussões


Chovem palavras, como granizo,

Ondulam frases como vagas no mar;

Como folhas aladas, na ventania,

Sendo arrastadas em turbilhão

Pelo ar

                                         As discussões…

São como raízes apodrecendo na lama

Pútrida dos charcos do ressentimento;

Nas águas tranquilas e falsas

Dos pântanos verbais:

São a agonia de sentimentos

Que não renascerão mais    

                                        As discussões…

Cobrem o sol, a alegria do ser.

Quando fenece o Entendimento

São como golpes de incisivos punhais,

São como pedradas num canito aos ais

                                          As discussões…

Geram o ódio, geram a dor

No coração humano

Já muito marcado…

E para que servem, e para que servem,

Qual o fim último d’

                                              As discussões!??

terça-feira, 18 de junho de 2013

igreja

momento de silêncio, de magia
o tempo passa devagar...
noite de suavidade, de harmonia,
de pureza sacra a despertar.

corpo vergado à luz dos círios,
tremulam sombras pelo ar:
tranquilas nuvens...doce odor:
névoa de incenso a pairar...

só deus sabe, que esquecida
oração meu Ser reza agora,
à luz das velas, enternecida,
minha alma imortal apenas chora!

no silêncio gélido, sepulcral,
da imensa nave secular
venho chorar toda a dor
que faz o meu coração sangrar...

sábado, 25 de maio de 2013

Plágio...ou se quizerem, citação.

Que esse gigante dos palcos, cujo nome é Ruy de Carvalho, que tive a honra de conhecer pessoalmente e a quem respeito a portugalidade e a obra me perdoe o plágio! Mas não resisti a transcrever uma sua carta aberta:

 
Senhores Ministros:

Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura – sobretudo aos novos talentos -, e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.
Vivi a guerra de 36/40 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.
Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.
Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor…e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas destes país - colegas que muito prezo e gostava de poder defender.

Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante.
Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero... a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!
É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.
É lamentável que o senhor Ministro das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com diretos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de Exel ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride, nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito... porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Na encruzilhada das religiões


“Que o hades engula todos os cristãos! Encheram-te a alma de inquietações e destruíram em ti o sentimento da vida…enganas-te julgando que a sua doutrina é benéfica: só é benéfico o que nos dá felicidade, a beleza, o amor e a força – e a essas coisas chamam eles vaidades! Enganas-te também, acreditando que são justos; se nós pagarmos o mal com o bem, que reservaremos para o bem? E se tanto para um, como para outro a sanção é idêntica, porque motivo seriam os homens bons?...Até lá continuo a supor os cristãos simplórios, e o futuro não pode pertencer a simplórios!”

 (in Quo Vadis, de  henryk sienkiewicz)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

poder e corrupção


Suponho que seja um preço eterno a pagar, seja qual for o século. O poder corrompe! É um princípio tão determinante como o de que tudo o que sobe tem de descer. O poder corrompe! Se Viriato não houvesse sido assassinado a tempo, poderia vir a ser um novo Gengis Cã. Se Hitler houvesse sido assassinado a tempo, teria sido um salvador para a pátria e a europa do seu tempo. O Marquês de Pombal fez algo construtivo e por sorte  morreu a tempo, antes de fazer asneiras graves.

Felizmente que Portugal é como é! Quando os políticos chegam ao fim do prazo de validade, após serem presidentes da república pelo tempo máximo permitido...põem-lhes um policia a porta, vitaliciamente, à laia de homenagem, e ficam a ganhar uns trocos em comentários no noticiário da noite e pronto. Os deuses nos ajudem se algum Le Pen português conseguir contornar este sistema seguro do serve te-e-vai-para-casa.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Destino


O destino, meu caro, e um bicho que tem vida própria e nos transtorna os planos...não é por coincidência que o elevador daqui avaria quase sempre à 6ºfeira à tarde, sendo que é aos sábados de manhã que faço as compras da semana e venho carregado de sacos...ou que quem gosta de sair à noite para o cinema ou teatro, é quase sempre nesses dias que os filhos adoecem com sarampo ou uma bruta gripe. Que exista destino não ponho em causa. O que te define como ser humano, e aquilo que és, é o como tu reages ao destino! há quem goste de se colocar pelos cantos a chorar, torcer as mãos e amaldiçoar o destino. Há quem ao tropeçar nessas pedras no caminho, se baixe, as apanhe e guarde para com elas construir um castelo mais tarde( Fernando Pessoa). Eu prefiro nem perder tempo e engendrar de imediato dentro da cabeça o plano B. Ai isso já não dá?? ok, então alternativas? será para quando essa tal ida ao teatro? Não me ponho a fazer filmes acerca da vontade dos deuses. TU tens o poder de alterar, por vezes, a vontade dos deuses, porque ao criarem-te....concederam-te o dom do livre discernimento. Acabares por ir ou não ir, depende e só da tua vontade inconsciente. Se nuna te apeteceu ir e ao invés ficar de chinelos a ver tv, é natural que tentes aproveitar a boleia da desculpa. Se tinhas real vontade de ver aquele evento...irás vê-lo, dê lá por onde der. Só depende, de facto, do nosso animus...

domingo, 7 de abril de 2013

desacordo ortográfico


como colónia, o brasil, tal como angola ou moçambique, aprendeu o português de Portugal.  Se regionalizaram a língua é problema deles e estão no seu direito. Mas não tentem mudar a língua base.  Que falem brasileirês, estou de acordo.  Não vejo é motivos para alterar a nossa língua: eles são brasileiros e nós portugueses, unificar porquê??  Serve que grupelho de pseudo-intelectuais? Não é fanatismo meu, nem redundância. Vivo e deixo viver. Sejam o que quizerem, não tentem é estragar cá o que estragaram por lá.

sábado, 6 de abril de 2013

o odor de um livro


Os livros têm peso e textura; são agradáveis de manusear. Nada cheira tão bem como um livro novo, especialmente se metermos o nariz no meio das folhas, onde ainda podemos sentir o cheiro acre da cola. A única coisa parecida é o cheiro pungente de um livro antigo. O odor de um livro antigo é o odor da História e, para mim, a visão de um livro novo é ainda a visão do futuro.

Stephen King, na Time

segunda-feira, 1 de abril de 2013

publicidade

lido na publicidade da internet: " VOOS BARATOS EUROPA: voe barato na europa a partir de 25 euros! assentos limitados. não perca!" Assentos limitados? e se estiverem cheios os lugares sentados, posso ir de pé, agarrado ao varão?

segunda-feira, 25 de março de 2013

saudade eterna


Saudade eterna,

O último adeus

Arfando-me no peito;

Desígnios de deus…

 

“Saudade eterna”

Gritada à toa,

A lembrança mais terna

Impressa numa coroa

                       Os anos passaram mas nunca esquecerei aquela noite…

Círios iluminavam

O Homem na cruz

O meu ser orava

De joelhos, a Jesus.

 

Coroa de açucenas

- poesia dispersa –

Um símbolo apenas

De uma muda conversa.

                       Ainda me lembro: eram brancas as flores que cobriam o teu caixão…

Nuvens de incenso

A pairar

No templo imenso

Fazendo-me chorar…

 

Uma vela acesa

Iliminava a cruz,

Crepitava só, indefesa

Sentinela de Jesus

                         Senti-me tão só em toda a noite, na sala cheia de gente!

O cheiro forte

Das flores a flutuar,

Recordou-me que a morte

Te veio, enfim, chamar…

 

Círios acesos

Faiscavam-me no olhar,

Nos meus olhos presos

Na tua urna a passar…

                          Todos choravam, mas o Cristo da cruz parecia sorrir…

E a cruz esquecida

Velando num silêncio mudo,

A figurinha adormecida

Que nada vê e vê tudo…

 

Círios queimavam

Por ti, na capela,

Os meus olhos brilhavam

De dor à luz da vela…

                                 …de algo que só ele parecia poder ver.

Cabeças ondulando

Como num sonho; a magia

Dos lumes crepitando,

Extinguindo-se em agonia.

 

Cabeças ondulando,

Espectadores sem rosto,

Alguns te saudando

Por dever, a contragosto!

                         Falava tanto o padre! Para quê palavras?

 

sábado, 23 de março de 2013

Oscar Lopes

Tenho no meu facebook uma dintinta senhora, Maria José Vitorino, que partilhou uma observação feita ontem, pelo que pude entender, por um tal Viriato Teles, que não conheço. Sob a rúbrica "Portugal dos pequeninos", escreveu: "No dia em que mor­reu Óscar Lopes, a pre­ocu­pação maior de parte sig­ni­fica­tiva dos por­tugue­ses foi o fait-divers da con­tratação de José Sócrates como comen­ta­dor político da RTP..."
Até posso concordar com o desabafo, mas iria mais longe, observando que para além de tão eminente linguista, muitas outras figuras importantes cairam pura e simplesmente no olvido. Agostinho da Silva, por exemplo. Parafraseando Soares de Passos, "quem de entre os vivos, se lembrará ainda, do pobre morto que na terra jaz??".Tirando alguns bafientos corredores de algumas universidades, e uso a expressão não como descrédito à filosofia, mas como contraponto à Ágora dos gregos clássicos, onde se encontra hoje a obra de Agostinho da Silva? A net em geral, o YouTube e o Facebook em particular contêm enxames de vídeos acerca de Grandolas, vilas morenas...mas quem se lembra ainda do famoso debate na televisão, em que  Agostinho quase fez em palitos  o robusto sicómoro que é, ainda, a vasta cultura de um dr Mário Soares?
Ary dos Santos? Um poeta que pode ser tudo, menos castrado. Por onde anda? E tantos tantos outros vultos do pensamento e das letras nacionais. Terão de esperar cinquenta, cem anos, como o grande Camões, para começarem a ser lidos e comentados?
Á laia de resposta e pseudo justificação para a critica do sr Viriato, poderia dizer, talvez, que os portugueses seguem ainda hoje a orientação de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal: " Agora é tempo de cuidar dos vivos (as vítimas socráticas) e enterrar os mortos". Pode não ser um grande príncipio a seguir nos tramites do coração. Se-lo-á  certamente, nos tramites da razão...

Sepultura

Já estão secas as flores
Silvestres
Que cresceram nas bordas da minha sepultura,
Perdido o alento
E o viço e a cor e as pétalas espalhadas
 Pelo vento.
Ali, onde o cemitério termina e a mata
Começa, onde o velho muro repousa `
Á sombra das árvores que vão cobrindo a minha lousa
De folhas castanhas e de gotas brilhantes de geada;
Ali, onde o silêncio é mais pesado e a paz mais premente
Ao nascer da alvorada;
Onde o nevoeiro paira por mais tempo, húmido e manso:
É ali,
è ali mesmo que eu descanso!
Já nada me importa: no meu desterro,
esquecido do mundo, pelo mundo banido,
Coberto pela lage pesada do olvido
Já mais não sou do que uma quimera!
Agora, no reino da Morte
Sou mais Eu do que alguma vez o fui
Em vida - escravo de um horário, títere
E fantoche - liberto enfim dos encontrões da Sorte.
Limito-me a ver com os olhos da alma
A poesia singela da Natureza,
A cor do vento,
O som da terra, o cheiro do húmus fervilhante
De vida, que me encerra...
No tempo da eternidade, no tempo sem tempo
Onde as horas são algo sem sentido e se sucedem
Insensíveis e aladas,
Vejo correr o sol e a chuva e a lua
E as nuvens, pelo cetim do céu:
Como actores representando os seus papéis na peça do Universo.
E por vezes encontro sinais da vida terrena:
Nos pássaros que piam nas ramadas
Quando o dia está soalheiro e a temperatura amena,
No voo das borboletas de asas da cor dos sonhos
Que sonhei numa outra vida...

Exportações...

Da comunicação social: " Tomate português é um êxito no Japão, Paulo Portas quer vender mais coisas".
Presumo que em seguida vá tentar vender pepinos aos japoneses...para completar a salada. Se considerarmos que a nivel internacional esse povo têm uma fama de fraco crescimento agrícola no campo dos legumes em causa, não será de espantar que a venda de pepinos portugueses venha também a conhecer enorme êxito. De resto além do vinho, da cortiça, do azeite, e dos emigrantes (este último "produto" com o aval do primeiro ministro), pouco mais temos para exportar. Já que o fado não é muito exportável, e os jogadores de futebol de jeito que haviam já se foram, creio que só nos resta mesmo a exportação de pepinos e tomates...nisso o português é bom!

Era só o que faltava...

Era so o que nos faltava, pobre pátria. Mas nunca deixo de me abismar com a lata incrivel de uma grande parte dos políticos! Alguns sabem quando parar a tempo, esconder-se pelas vielas sinuosas das uniões europeias, deixar que acalme o burburinho e a ira de um povo sacrificado. outros pensam que basta uma cura nas termas da Sourbonne, para que tudo fique esquecido e possam passar uma esponja no passado. Megalomanias! Tenho visto e lido por aí muita contestação ao regresso do Socrates (não o da cicuta...o Pinóquio). Já li chamarem-lhe ladrão e coisas piores. Como detentor de alguns conhecimentos escassos de jurisdicionalismo, sei que há que guardar a devida cautela quanto à difamação de alguém, pese embora o facto de em relação a este...cavalheiro (cavalheiro no sentido de cavalheiro de fortuna), não oferecerem grandes dúvidas a certitude de tais "calúnias". Que ele deseje regressar e o pense fazer em glória, não me espanta: megalomanias, repito. Que  os vampíricos burocratas de uma sacrificada RTP o desejem num programa, também não me espanta nada: quanto mais contestação existir em volta do regresso do dito cavalheiro, tantas mais audiências haverão no dia em que pela primeira vez sujar os nossos ecrans com o seu sorriso escarninho habitual. E se atentarmos nas audiências de outros canais, fica óbvio o interesse da depauperada  RTP. Que os outros partidos consintam ligeiramente na situação, não me surpreende também...o PSD aposta (a meu ver erradamente, porque vai falhar a ilação e uma vez o monstro a solta, será quase imparavel) em que poderá atirar-lhe em cara, em directo muitos erros do pasado e assim ficar por cima.Que o povo português, habitualmente sereno, consinta no enchovalho nacional que será tal assunpção de funções também não me admira por aí além, se bem que já vão sendo dados sinais de agitação do que se considera para lá do tolerável. A situação presente não se me afigura muito diferente, para já, da contestação ocorrida contra a Indonésia, por causa de Timor. Lenços brancos (neste caso seriam pretos), buzinões à porta da embaixada dos EUA (neste caso seriam feitos à porta do PS no Largo do Rato) serão atitudes naturais e expectáveis, e se não ocorrerem...deixo de ter esperança no povo  português. Que este texto é um manifesto apoio à contestação social no caso de lhe ser permitido erguer a voz numa qualquer televisão...é. Que apelo (eu que nunca na vida saí do calmo caminho da legitimidade democrática e direito à livre expressão) a uma quase desobediência civil, para  calar a voz da despudurada vergonha de quem lesou a pátria...apelo.
E antes que me apelidem de comunista e agitador social, lembro aqui uma das minhas anedotas preferidas: " em Moscovo, as 7h da manhã, as ruas enchem-se de uma multidão de gente mal vestida que se dirige aos seus trabalhos, enfrentando a neve. São o povo, o verdadeiro detentor do poder no país. às 10h da manhã algumas limusines cruzam as ruas já quase desertas, a caminho dos ministérios e repartições públicas: são os burocratas, os servos humildes de um povo que representam."
Não é preciso ser esquerdista ( e eu até sou mais de centro-direita) para dizer em voz alta: basta! estamos cansados de bandalheiras políticas!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Surdos versus cegos...


Assim à primeira vista, poder-se-ía imaginar que ninguém como um deficiente, para sentir, entender e se aproximar de outro deficiente. Afinal quem melhor saberá o que significa ser-se filho de um deus menor? certo? Errado! Na verdade não existe ninguém de quem eu fuja mais do que de um invisual. Mas que coisa! comentarão alguns escandalizados. Passo a explicar a coisa, que certamente nunca terá ocorrido aos génios do burgo. A não ser que um indivíduo tenha cegado à relativamente pouco tempo, caso em que toda uma vida aprendeu a falar normalmente, um invisual geralmente nasce cego, ou cega em criança. E aprende a falar sem recursos visuais...apenas os sons que escuta e aprende, e que com o tempo repete por si mesmo. Simplesmente fá-lo usando apenas a garganta para vocalizar, e ao falar, quase sem excepção, não mexe os lábios para desenhar as palavras, como qualquer pessoa normal o fará. Aprende-se de criança a ler os lábios dos pais e a desenhar com eles, os sons das palavras. È exactamente esse desenho labial que ajuda um pouco os surdos profundos, e faz toda a diferença aos que têm pequenas deficiências auditivas, como eu, a entender o que lhes dizem. Podem desligar o som da tv e eu ainda assim apanhar metade do que é dito no telejornal. Mas se me retiram o mexer dos lábios, fico a zero. Daí que qualquer tentativa de comunicação com um invisual se reduza a um grandessissimo zero! È embaraçoso, é frustante, é inútil e, por mais que compartilhe com eles a sabedoria do que é estar privado de um sentido e entenda melhor do que ninguém o que sentem em relação a isso, fujo da companhia deles como o diabo da cruz. Já alguém tinha pensado nessa perspectiva?

Assim vai a saúde neste nosso Portugal!

assim vai a saude neste nosso Portugal. A semana passada estava com gripe e fui ao centro de saude, disse ao médico que a coisa estava a piorar já e precisava de algo que fizesse efeito. Levantou cerca de 30 centimetros o rabo da cadeira, inclinou sobre a mesa e, a 1,20m de mim pediu: abra a boca faxavor. Abri, viu o horizonte longínquo do desfiladeiro da minha garganta ao anoitecer da pouca luz da sala, e escrevinhou uns apontamentos. Tome isto, que é dose de cavalo já, e vai ver que fica bom. Tomei. Ao fim de uns dias, e sem melhorias voltei lá. Que o sr doutor não estava e tal, e que se era urgente se ía ver se havia outro médico. Miraculosamente havia - quem foi que disse que neste país não há médicos a trabalhar? há sim sr! Entrei e expliquei o caso. Desta vez poupou-se no esforço laboral: nem uma olhadela à minha garganta, tensão, auscultadores, nada. Apenas um rabiscar de uns gatafunhos no papel, e tome isto que vai ver que fica bom. Nâo fiquei. Piorei. Hoje lá perdi um dia inteirinho, com agulhas espetadas no braço, máscaras e sei lá o quê mais, a ver velhotes a patinar à minha volta, nas urgências de um hospital. É sempre quando vou às urgências de um hospital que dou mais valor à rica da vidinha, caramba. O médico olha para o primeiro medicamento que me receitaram e para o segundo, coça a careca e opina: mas deram-lhe mais do mesmo, depois de ter dito que não tinha feito efeito! Olhe, vai tomar isto e isto, e se não passar em cinco dias, volte cá às urgências outra vez. E aqui estou, ainda por curar e com uma vontade louca de brincar aos médicos com uma seringa a sério, e os rabos nús dos distintos discípulos de Esculápio que me atenderam no centro de saúde. Aliás uma senhora doutora que me atendeu tem aqui nas redondezas a fama de receitar um mesmo medicamento aos doentes todos que lhe surgem...seja qual for a doença de que padecem. Assim vai a saúde neste nosso Portugal...

quarta-feira, 20 de março de 2013

Á procura de emprego

à procura de emprego na net...como metade do país, aliás. pesquiso aqui, pesquiso ali e eis que apanho um susto, lido assim de improviso:"necessita-se de profissional com experiência em realidade aumentada". Boca aberta de espanto e esfregando os olhos a ver se li bem. Sim, está lá. "Mas eles já têm profissionais a trabalhar no aumento do tamanho da pila, a nível comercial?" Lendo com mais atenção, afinal não se trata de nada disso...é para trabalhar numa plataforma web. Ok ok, será de mim, ou todos os portugueses do sexo masculino, nascidos na segunda metade do século XX, terão tendência para pensar em primeiro lugar na pila, e só depois noutras explicações mais racionais? Quem souber que esclareça. Eu não sei.

terça-feira, 19 de março de 2013

parto...

Bem, o parto já está, e o monstrinho já nasceu. Falta ainda o enxoval todo (para que é que um gajo se mete nestas coisas de fazer nascer algo? não é só "faze-los", é criá-los também!).
E ver se descubro como é que isto funciona. Estou mais perdido do que um seminarista nos corredores de um prostíbulo,. ou uma freira a deambular pelas arcadas de uma Madrassa. Irra!