quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Em defesa da liberdade, no Facebook…


Talvez que eu seja um espírito pouco prático nestes tempos que vão correndo. Talvez que eu seja um anacronismo. Posso aceitar isso. Mas não tenciono alterar a minha forma de ser e encarar as coisas e a vida. Para mim, o Facebook é uma ferramenta contemporânea que nos permite ligar em directo a esta aldeia global, mostrar o que somos e o que pensamos, sem reservas, mas também sem espartilhos.

A liberdade de cada um termina, onde começa a liberdade dos outros, diziam-me já em miúdo. Bebi esse conceito, como bebi o leite Vigor que me davam a beber para crescer forte e saudável.

Por isso não gosto, não simpatizo com pessoas que utilizam o facebook apenas para fins comerciais. Ou apenas para fins políticos. Ou apenas para fins de engate. Ou apenas para.

Que têm esse direito é inegável. Estamos num país livre, felizmente. Que eu tenho o direito de não gostar dessa forma redutora de estar é também o meu direito inalienável. Lembro-me que que um dia destes tive a grata  oportunidade de anexar ao meu Facebook o autor de um livro de que gostei muito: “um deus passeando pela brisa da tarde”. Porreiro, pensei eu. Vou poder estar um pouco próximo de uma pessoa que admiro, e quem sabe, aprender, estudar, um pouco, abrir os meus horizontes, com alguém mais velho e sábio do que eu! Humildemente.

Dia após dia, nada do ser humano por trás do escritor. Apenas de longe em longe um frio e seco post de teor profissional. E um outro dia, não há muito tempo atrás, um post enfadado dirigido a alguém: “em breve terei de fazer uma limpeza a quem me enche diariamente o face”. À desilusão, sobrepôs-se a indignação. “Ai é assim? Pois é já!” e sem pensar apaguei, deletei, bani para todo o sempre da santidade do meu próprio Face, a presença incomodativa do sentencioso escriba. Culpas? Ninguém as tem. Cada um tem o direito de ter no seu mural quem muito bem entende e dirigi-lo a quem muito bem entende. Isso é democracia. Isso é liberdade. Tive pena. Muita. Mas ninguém é perfeito, muito menos quem escreve. Costumo dizer que, para podermos escrever, há primeiro que desencantar a alma, muitas vezes para lá de toda a redenção possível..

Pessoalmente, assumo os meus inúmeros defeitos. E os defeitos que a natureza humana trás a todos os restantes habitantes do meu mundo. Por isso nunca banirei do meu Face, quem tenha maneiras diferentes da minha, de ver as realidades desta vida. Não reparo ostensivamente nos argueiros que tapam as vistas do próximo, sem antes reparar nas traves maciças que cobram a minha vista. Sejam comunistas ou fascistas, sejam peripatéticos religiosos ou secos agnósticos. Sejam benfiquistas ou portistas. Sejam cínicos empedernidos como eu mesmo, ou raríssimos tesouros de ingenuidade. Todos serão bem-vindos a dar a sua opinião no meu mural. O limite é a educação básica, inerente ao civilizacionismo. Aos que utilizam o Face apenas como ferramenta laboral, deixando de lado aquilo que são como seres humanos, respeitarei a crença ideológica. Mas irei bani-los sem tardança e sem pudor do meu mundo virtual! Este já é seco e vazio em demasia, para que ainda por cima eu aceite mais barreiras ao humanismo.