quarta-feira, 17 de julho de 2013

A um amigo


Erva de um relvado separada,

Raminho partido de um arbusto,

Espiga de trigo precocemente ceifada –

- já não tenho a meu lado o teu ombro robusto…

São poucos nesta vida aqueles a quem

Podemos na verdade dar o nome de amigo,

Mas a vida é maré que vai e que vem

E já não posso ir à praia apanhar conchas contigo…

Partiste e cá fico com um lugar vazio

Aqui no cantinho do meu coração!

Sozinho medito à beira do rio

Deixando correr a recordação

Com as águas do Tejo,

E vejo imagens do passado,

Momentos que foram e não mais voltarão…

Que Deus seja contigo pelos tempos dos tempos,

Que te dê a doçura do descanso e da paz,

Eu cá fico com a lembrança dos momentos

Que passámos juntos, Alfredo, meu rapaz!

 

 

5 de Abril de 1995

Brevidade...


O verão é breve e a vida é breve! Mas que é que os torna breves? O facto de sabermos que o são! Sabem porventura os gatos que a vida é breve? Ou os pássaros? Ou as borboletas? Eles acham que é eterna! Ninguém se preocupou em dizer-lhes que a vida é breve! Porque é que no-lo disseram a nós?

Erich Maria Remarque, in

Uma Noite em Lisboa