Saudade eterna,
O último adeus
Arfando-me no peito;
Desígnios de deus…
“Saudade eterna”
Gritada à toa,
A lembrança mais terna
Impressa numa coroa
Os anos passaram mas nunca esquecerei aquela noite…
Círios iluminavam
O Homem na cruz
O meu ser orava
De joelhos, a Jesus.
Coroa de açucenas
- poesia dispersa –
Um símbolo apenas
De uma muda conversa.
Ainda me lembro: eram brancas as flores que cobriam o teu caixão…
Nuvens de incenso
A pairar
No templo imenso
Fazendo-me chorar…
Uma vela acesa
Iliminava a cruz,
Crepitava só, indefesa
Sentinela de Jesus
Senti-me tão só em toda a noite, na sala cheia de gente!
O cheiro forte
Das flores a flutuar,
Recordou-me que a morte
Te veio, enfim, chamar…
Círios acesos
Faiscavam-me no olhar,
Nos meus olhos presos
Na tua urna a passar…
Todos choravam, mas o Cristo da cruz parecia sorrir…
E a cruz esquecida
Velando num silêncio mudo,
A figurinha adormecida
Que nada vê e vê tudo…
Círios queimavam
Por ti, na capela,
Os meus olhos brilhavam
De dor à luz da vela…
…de algo que
só ele parecia poder ver.
Cabeças ondulando
Como num sonho; a magia
Dos lumes crepitando,
Extinguindo-se em agonia.
Cabeças ondulando,
Espectadores sem rosto,
Alguns te saudando
Por dever, a contragosto!
Falava tanto o padre! Para quê palavras?