segunda-feira, 25 de março de 2013

saudade eterna


Saudade eterna,

O último adeus

Arfando-me no peito;

Desígnios de deus…

 

“Saudade eterna”

Gritada à toa,

A lembrança mais terna

Impressa numa coroa

                       Os anos passaram mas nunca esquecerei aquela noite…

Círios iluminavam

O Homem na cruz

O meu ser orava

De joelhos, a Jesus.

 

Coroa de açucenas

- poesia dispersa –

Um símbolo apenas

De uma muda conversa.

                       Ainda me lembro: eram brancas as flores que cobriam o teu caixão…

Nuvens de incenso

A pairar

No templo imenso

Fazendo-me chorar…

 

Uma vela acesa

Iliminava a cruz,

Crepitava só, indefesa

Sentinela de Jesus

                         Senti-me tão só em toda a noite, na sala cheia de gente!

O cheiro forte

Das flores a flutuar,

Recordou-me que a morte

Te veio, enfim, chamar…

 

Círios acesos

Faiscavam-me no olhar,

Nos meus olhos presos

Na tua urna a passar…

                          Todos choravam, mas o Cristo da cruz parecia sorrir…

E a cruz esquecida

Velando num silêncio mudo,

A figurinha adormecida

Que nada vê e vê tudo…

 

Círios queimavam

Por ti, na capela,

Os meus olhos brilhavam

De dor à luz da vela…

                                 …de algo que só ele parecia poder ver.

Cabeças ondulando

Como num sonho; a magia

Dos lumes crepitando,

Extinguindo-se em agonia.

 

Cabeças ondulando,

Espectadores sem rosto,

Alguns te saudando

Por dever, a contragosto!

                         Falava tanto o padre! Para quê palavras?

 

sábado, 23 de março de 2013

Oscar Lopes

Tenho no meu facebook uma dintinta senhora, Maria José Vitorino, que partilhou uma observação feita ontem, pelo que pude entender, por um tal Viriato Teles, que não conheço. Sob a rúbrica "Portugal dos pequeninos", escreveu: "No dia em que mor­reu Óscar Lopes, a pre­ocu­pação maior de parte sig­ni­fica­tiva dos por­tugue­ses foi o fait-divers da con­tratação de José Sócrates como comen­ta­dor político da RTP..."
Até posso concordar com o desabafo, mas iria mais longe, observando que para além de tão eminente linguista, muitas outras figuras importantes cairam pura e simplesmente no olvido. Agostinho da Silva, por exemplo. Parafraseando Soares de Passos, "quem de entre os vivos, se lembrará ainda, do pobre morto que na terra jaz??".Tirando alguns bafientos corredores de algumas universidades, e uso a expressão não como descrédito à filosofia, mas como contraponto à Ágora dos gregos clássicos, onde se encontra hoje a obra de Agostinho da Silva? A net em geral, o YouTube e o Facebook em particular contêm enxames de vídeos acerca de Grandolas, vilas morenas...mas quem se lembra ainda do famoso debate na televisão, em que  Agostinho quase fez em palitos  o robusto sicómoro que é, ainda, a vasta cultura de um dr Mário Soares?
Ary dos Santos? Um poeta que pode ser tudo, menos castrado. Por onde anda? E tantos tantos outros vultos do pensamento e das letras nacionais. Terão de esperar cinquenta, cem anos, como o grande Camões, para começarem a ser lidos e comentados?
Á laia de resposta e pseudo justificação para a critica do sr Viriato, poderia dizer, talvez, que os portugueses seguem ainda hoje a orientação de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal: " Agora é tempo de cuidar dos vivos (as vítimas socráticas) e enterrar os mortos". Pode não ser um grande príncipio a seguir nos tramites do coração. Se-lo-á  certamente, nos tramites da razão...

Sepultura

Já estão secas as flores
Silvestres
Que cresceram nas bordas da minha sepultura,
Perdido o alento
E o viço e a cor e as pétalas espalhadas
 Pelo vento.
Ali, onde o cemitério termina e a mata
Começa, onde o velho muro repousa `
Á sombra das árvores que vão cobrindo a minha lousa
De folhas castanhas e de gotas brilhantes de geada;
Ali, onde o silêncio é mais pesado e a paz mais premente
Ao nascer da alvorada;
Onde o nevoeiro paira por mais tempo, húmido e manso:
É ali,
è ali mesmo que eu descanso!
Já nada me importa: no meu desterro,
esquecido do mundo, pelo mundo banido,
Coberto pela lage pesada do olvido
Já mais não sou do que uma quimera!
Agora, no reino da Morte
Sou mais Eu do que alguma vez o fui
Em vida - escravo de um horário, títere
E fantoche - liberto enfim dos encontrões da Sorte.
Limito-me a ver com os olhos da alma
A poesia singela da Natureza,
A cor do vento,
O som da terra, o cheiro do húmus fervilhante
De vida, que me encerra...
No tempo da eternidade, no tempo sem tempo
Onde as horas são algo sem sentido e se sucedem
Insensíveis e aladas,
Vejo correr o sol e a chuva e a lua
E as nuvens, pelo cetim do céu:
Como actores representando os seus papéis na peça do Universo.
E por vezes encontro sinais da vida terrena:
Nos pássaros que piam nas ramadas
Quando o dia está soalheiro e a temperatura amena,
No voo das borboletas de asas da cor dos sonhos
Que sonhei numa outra vida...

Exportações...

Da comunicação social: " Tomate português é um êxito no Japão, Paulo Portas quer vender mais coisas".
Presumo que em seguida vá tentar vender pepinos aos japoneses...para completar a salada. Se considerarmos que a nivel internacional esse povo têm uma fama de fraco crescimento agrícola no campo dos legumes em causa, não será de espantar que a venda de pepinos portugueses venha também a conhecer enorme êxito. De resto além do vinho, da cortiça, do azeite, e dos emigrantes (este último "produto" com o aval do primeiro ministro), pouco mais temos para exportar. Já que o fado não é muito exportável, e os jogadores de futebol de jeito que haviam já se foram, creio que só nos resta mesmo a exportação de pepinos e tomates...nisso o português é bom!

Era só o que faltava...

Era so o que nos faltava, pobre pátria. Mas nunca deixo de me abismar com a lata incrivel de uma grande parte dos políticos! Alguns sabem quando parar a tempo, esconder-se pelas vielas sinuosas das uniões europeias, deixar que acalme o burburinho e a ira de um povo sacrificado. outros pensam que basta uma cura nas termas da Sourbonne, para que tudo fique esquecido e possam passar uma esponja no passado. Megalomanias! Tenho visto e lido por aí muita contestação ao regresso do Socrates (não o da cicuta...o Pinóquio). Já li chamarem-lhe ladrão e coisas piores. Como detentor de alguns conhecimentos escassos de jurisdicionalismo, sei que há que guardar a devida cautela quanto à difamação de alguém, pese embora o facto de em relação a este...cavalheiro (cavalheiro no sentido de cavalheiro de fortuna), não oferecerem grandes dúvidas a certitude de tais "calúnias". Que ele deseje regressar e o pense fazer em glória, não me espanta: megalomanias, repito. Que  os vampíricos burocratas de uma sacrificada RTP o desejem num programa, também não me espanta nada: quanto mais contestação existir em volta do regresso do dito cavalheiro, tantas mais audiências haverão no dia em que pela primeira vez sujar os nossos ecrans com o seu sorriso escarninho habitual. E se atentarmos nas audiências de outros canais, fica óbvio o interesse da depauperada  RTP. Que os outros partidos consintam ligeiramente na situação, não me surpreende também...o PSD aposta (a meu ver erradamente, porque vai falhar a ilação e uma vez o monstro a solta, será quase imparavel) em que poderá atirar-lhe em cara, em directo muitos erros do pasado e assim ficar por cima.Que o povo português, habitualmente sereno, consinta no enchovalho nacional que será tal assunpção de funções também não me admira por aí além, se bem que já vão sendo dados sinais de agitação do que se considera para lá do tolerável. A situação presente não se me afigura muito diferente, para já, da contestação ocorrida contra a Indonésia, por causa de Timor. Lenços brancos (neste caso seriam pretos), buzinões à porta da embaixada dos EUA (neste caso seriam feitos à porta do PS no Largo do Rato) serão atitudes naturais e expectáveis, e se não ocorrerem...deixo de ter esperança no povo  português. Que este texto é um manifesto apoio à contestação social no caso de lhe ser permitido erguer a voz numa qualquer televisão...é. Que apelo (eu que nunca na vida saí do calmo caminho da legitimidade democrática e direito à livre expressão) a uma quase desobediência civil, para  calar a voz da despudurada vergonha de quem lesou a pátria...apelo.
E antes que me apelidem de comunista e agitador social, lembro aqui uma das minhas anedotas preferidas: " em Moscovo, as 7h da manhã, as ruas enchem-se de uma multidão de gente mal vestida que se dirige aos seus trabalhos, enfrentando a neve. São o povo, o verdadeiro detentor do poder no país. às 10h da manhã algumas limusines cruzam as ruas já quase desertas, a caminho dos ministérios e repartições públicas: são os burocratas, os servos humildes de um povo que representam."
Não é preciso ser esquerdista ( e eu até sou mais de centro-direita) para dizer em voz alta: basta! estamos cansados de bandalheiras políticas!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Surdos versus cegos...


Assim à primeira vista, poder-se-ía imaginar que ninguém como um deficiente, para sentir, entender e se aproximar de outro deficiente. Afinal quem melhor saberá o que significa ser-se filho de um deus menor? certo? Errado! Na verdade não existe ninguém de quem eu fuja mais do que de um invisual. Mas que coisa! comentarão alguns escandalizados. Passo a explicar a coisa, que certamente nunca terá ocorrido aos génios do burgo. A não ser que um indivíduo tenha cegado à relativamente pouco tempo, caso em que toda uma vida aprendeu a falar normalmente, um invisual geralmente nasce cego, ou cega em criança. E aprende a falar sem recursos visuais...apenas os sons que escuta e aprende, e que com o tempo repete por si mesmo. Simplesmente fá-lo usando apenas a garganta para vocalizar, e ao falar, quase sem excepção, não mexe os lábios para desenhar as palavras, como qualquer pessoa normal o fará. Aprende-se de criança a ler os lábios dos pais e a desenhar com eles, os sons das palavras. È exactamente esse desenho labial que ajuda um pouco os surdos profundos, e faz toda a diferença aos que têm pequenas deficiências auditivas, como eu, a entender o que lhes dizem. Podem desligar o som da tv e eu ainda assim apanhar metade do que é dito no telejornal. Mas se me retiram o mexer dos lábios, fico a zero. Daí que qualquer tentativa de comunicação com um invisual se reduza a um grandessissimo zero! È embaraçoso, é frustante, é inútil e, por mais que compartilhe com eles a sabedoria do que é estar privado de um sentido e entenda melhor do que ninguém o que sentem em relação a isso, fujo da companhia deles como o diabo da cruz. Já alguém tinha pensado nessa perspectiva?

Assim vai a saúde neste nosso Portugal!

assim vai a saude neste nosso Portugal. A semana passada estava com gripe e fui ao centro de saude, disse ao médico que a coisa estava a piorar já e precisava de algo que fizesse efeito. Levantou cerca de 30 centimetros o rabo da cadeira, inclinou sobre a mesa e, a 1,20m de mim pediu: abra a boca faxavor. Abri, viu o horizonte longínquo do desfiladeiro da minha garganta ao anoitecer da pouca luz da sala, e escrevinhou uns apontamentos. Tome isto, que é dose de cavalo já, e vai ver que fica bom. Tomei. Ao fim de uns dias, e sem melhorias voltei lá. Que o sr doutor não estava e tal, e que se era urgente se ía ver se havia outro médico. Miraculosamente havia - quem foi que disse que neste país não há médicos a trabalhar? há sim sr! Entrei e expliquei o caso. Desta vez poupou-se no esforço laboral: nem uma olhadela à minha garganta, tensão, auscultadores, nada. Apenas um rabiscar de uns gatafunhos no papel, e tome isto que vai ver que fica bom. Nâo fiquei. Piorei. Hoje lá perdi um dia inteirinho, com agulhas espetadas no braço, máscaras e sei lá o quê mais, a ver velhotes a patinar à minha volta, nas urgências de um hospital. É sempre quando vou às urgências de um hospital que dou mais valor à rica da vidinha, caramba. O médico olha para o primeiro medicamento que me receitaram e para o segundo, coça a careca e opina: mas deram-lhe mais do mesmo, depois de ter dito que não tinha feito efeito! Olhe, vai tomar isto e isto, e se não passar em cinco dias, volte cá às urgências outra vez. E aqui estou, ainda por curar e com uma vontade louca de brincar aos médicos com uma seringa a sério, e os rabos nús dos distintos discípulos de Esculápio que me atenderam no centro de saúde. Aliás uma senhora doutora que me atendeu tem aqui nas redondezas a fama de receitar um mesmo medicamento aos doentes todos que lhe surgem...seja qual for a doença de que padecem. Assim vai a saúde neste nosso Portugal...

quarta-feira, 20 de março de 2013

Á procura de emprego

à procura de emprego na net...como metade do país, aliás. pesquiso aqui, pesquiso ali e eis que apanho um susto, lido assim de improviso:"necessita-se de profissional com experiência em realidade aumentada". Boca aberta de espanto e esfregando os olhos a ver se li bem. Sim, está lá. "Mas eles já têm profissionais a trabalhar no aumento do tamanho da pila, a nível comercial?" Lendo com mais atenção, afinal não se trata de nada disso...é para trabalhar numa plataforma web. Ok ok, será de mim, ou todos os portugueses do sexo masculino, nascidos na segunda metade do século XX, terão tendência para pensar em primeiro lugar na pila, e só depois noutras explicações mais racionais? Quem souber que esclareça. Eu não sei.

terça-feira, 19 de março de 2013

parto...

Bem, o parto já está, e o monstrinho já nasceu. Falta ainda o enxoval todo (para que é que um gajo se mete nestas coisas de fazer nascer algo? não é só "faze-los", é criá-los também!).
E ver se descubro como é que isto funciona. Estou mais perdido do que um seminarista nos corredores de um prostíbulo,. ou uma freira a deambular pelas arcadas de uma Madrassa. Irra!